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terça-feira, 22 de setembro de 2015

7 vantagens no uso do forro de gesso

Em uma construção o forro pode ser executado em diversos materiais e formatos, dependendo do uso e intenção. Hoje vamos falar sobre as vantagens de usar o gesso como forro.

1. Oculta estruturas e imperfeições. Em construções ou reformas podem surgir vigas estruturais ou dilatações que podem prejudicar a estética do ambiente; o gesso rebaixado oculta facilmente estes elementos;

2. Permite iluminação indireta. Um dos efeitos mais procurados hoje em dia é a iluminação indireta através de fitas de led. Com detalhes no gesso é possível esconder a fita de led, revelando apenas a iluminação;

3. Possibilitam melhor acabamento nas luminárias. Por permitir o uso de peças de embutir, o gesso esconde a caixa das luminárias, criando uma iluminação mais delicada e discreta;

4. Destaque estético e variações na volumetria. É um material facilmente moldável, essa característica permite a execução de desenhos em curvas, desníveis e rasgos, originando formatos únicos;

5. Facilitam futura manutenção. Em casos de manutenção ou troca de luminárias o manuseio do gesso é simples, pois ele permite emendas imperceptíveis;

6. Dilatação e molduras. O gesso possui mecanismos para evitar trincas, como dilatações ou molduras encostadas à parede;

7. Conforto térmico. Ao usar o forro de gesso, criamos uma camada de ar entre a cobertura (ou laje) e o forro. Essa camada de ar funciona como mecanismo de isolamento térmico natural.

Uma construção bem planejada pode conter diversas vantagens no uso do gesso, com bom custo benefício e agilidade na execução.

*Matéria originalmente publicada na revista 'Dia a dia Arapongas' - edição de setembro


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

CONSTRUINDO COM A AJUDA DA COMUNIDADE: ARQUITETURA E O OLHAR DE ESPERANÇA DE DIÉBÉDO FRANCIS KÉRÉ


 A arquitetura tem papel fundamental para qualquer comunidade, mas o impacto que ela causa pode ser ampliado de forma boa ou ruim. Quando um arquiteto é capaz de enxergar a necessidade do ser humano e colocar essa necessidade como condicionante de um projeto desenvolvido, a arquitetura passa a ter atrativos que vão além dos estéticos e funcionais. Pouco tempo atrás pude conhecer um pouco mais sobre a história do arquiteto Diébédo Francis Kéré, e me encantar com cada teoria e projeto desenvolvido.
Diébédo Francis Kéré nasceu em um país da África chamado Burkina Faso, um dos países com menor PIB do mundo. Francis nasceu, mais especificamente, em uma vila chamada Gando. Passou o início de sua infância nessa vila, sem acesso à eletricidade, à água potável ou prédios escolares. Aos sete anos seus pais o mandaram para fora de Gando para aprender a ler e escrever, foi apenas após os trinta anos de idade que Francis teve a oportunidade de graduar-se, quando recebeu uma bolsa de estudos na Alemanha e passou a cursar graduação em arquitetura pela faculdade técnica de Berlim.
Quando menino, cada vez que Francis voltava para Gando, ele recebia uma moeda de cada uma das mulheres que habitavam em sua comunidade de origem. Em sua palestra para o Ted ele diz que demorou a entender o significado daquilo,mas depois de um tempo percebeu que aquele povo estava depositando esperança nele. Aquelas mulheres estavam colaborando com o seu aprendizado, pois tinham a expectativa de um dia ele voltar para ajudar a comunidade.
Conhecer as necessidade daquelas pessoas, ter nascido ali e receber a oportunidade de estudar fora gerou em Francis a necessidade de voltar e ajudar. Ainda na fase de graduação ele começou a pedir ajuda aos colegas de turma para juntar fundos. Seu sonho? Construir uma escola em Gando, devolver de alguma forma aquilo que recebeu, oferecer algo à toda a comunidade. Dois anos foram necessários para que ele conseguisse acumular a quantia de cinquenta mil dólares, tornando assim um pouco mais palpável o sonho de construir.
Talvez o detalhe que mais chame a atenção aqui seja o material especificado no projeto da escola. Francis não queria abrir mão da cultura local, da sua própria cultura. Ele propôs utilizar argila, o mesmo material tão conhecido pelos habitantes da comunidade, e apesar da relutância imediata – pois acreditavam que outras tecnologias tinham mais valor – ele conseguiu convencer a população através de protótipos e testes, contando assim com a colaboração de todos os moradores para a execução da escola. Assim, quando todos foram convencidos, eles se uniram para a construção da escola, mulheres e homens puderam executar tarefas e colocar em prática técnicas já tradicionais, além das inovações desenvolvidas. A escola foi construída com blocos compactados de argila, chão de barro, barro e barras de aço no telhado. A arquitetura de Diébédo Francis Kéré  soube enxergar e valorizar a cultura regional, instigar o sentimento de colaboração e inovar alterando vários conceitos do uso da argila.

Além dos fatores sociais e funcionais, o projeto considera também o clima da região, já que algumas regiões de Burkina Faso podem chegar a uma temperatura de 45º. Desta forma o uso dos materiais - principalmente no teto - o formato da cobertura e as aberturas de ar foram desenhadas de forma a dar prioridade ao conforto térmico das salas de aula. O prédio escolar já está construído há doze anos e cumpre a missão funcionando como local de estudos, gerando conforto e o convívio entre as crianças.


Francis possui um olhar minucioso e uma esperança ativa, após a escola vieram outros projetos, cada qual com sua particular inovação. Ele sempre faz questão de explicar o sistema construtivo para toda a comunidade através de protótipos, recrutando a participação de todos para a execução. Desde a construção da escola, novas técnicas foram implantadas, como o lançamento do barro do mesmo jeito que se lança o concreto e o uso do barro no formato em cúpula. Como o próprio Francis diz: “Testes precisam ser realizados, quando você sabe qual a melhor receita e a melhor forma, você começa a trabalhar com a comunidade”.
No projeto da biblioteca, construída após a escola, a proposta era conseguir aberturas zenitais para captar a iluminação natural. Com raciocínio simples e valorização daquilo que já era comum entre eles, escolheram a peça que possibilitaria o efeito esperado, as tão conhecidas panelas de barro. Um objeto comum, de fácil acesso e pouco peso. Cada habitante levou sua panela e puderam ver, mais uma vez, a arquitetura criando espaços diferenciados sem agredir a cultura local. As panelas foram cortadas e colocadas no topo do telhado antes do concreto. O efeito? Uma quantidade imensa de aberturas que criam um jogo de luz e sombra, permitem que o exterior faça parte do interior e o ar quente saia do ambiente.

Enquanto existirem profissionais capacitados para valorizar o homem e o meio no qual ele vive, a arquitetura será capaz de melhorar a vida das pessoas. Diébédo Francis Kéré encara a arquitetura como uma leitura da necessidade humana, respeitando as diferenças dessa necessidade de acordo com o local. Ele sabe que tentar replicar algo que faz parte de outra cultura é um método enfraquecido e perigoso. Essa facilidade em respeitar as diferenças é o que permite à Francis manter um escritório na Alemanha e outro em Burkina Faso, utilizando a arquitetura para criar uma ponte entre dois extremos, entre a tecnologia e a tradição, entre a cultura e a modernidade. Francis entende que existe uma relação entre conhecimento, técnicas, economia, cultura e sociedade, e é papel do arquiteto conectar isso tudo, ler o contexto e criar algo útil e aceitável pelo usuário e a sociedade, já que a arquitetura afeta todo o entorno.

*Todas as imagens foram retiradas do site do arquiteto, aqui.
** Texto originalmente publicado em:
© obvious: http://obviousmag.org/arquitetura_para_todos/2015/construindo-com-a-ajuda-da-comunidade-arquitetura-e-o-olhar-de-esperanca-de-diebedo-francis-kere.html#ixzz3luUdsI00 
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